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O SER E O TER
Vivemos tempos
conturbados.
Os constantes acontecimentos mundiais
considerados notícia são na sua maioria
trágicos, a todos os níveis e em todas as áreas
da vida.
Constantes conflitos políticos, étnicos,
religiosos, de classes sociais e identificações
diferentes caracterizam o actual estado
evolutivo da humanidade. A competição
desenfreada origina desequilíbrios cujos
extremos se intensificam cada vez mais
destruindo-se mutuamente.
De um modo geral os financeiramente ricos
ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez
mais pobres e estes são em grande escala.
Contraditoriamente o pobre aspira ser rico e no
entretanto crítica, condena e inveja os mais
abastados não se apercebendo que se um dia
chegar a ser rico provavelmente comportar-se-á
como eles. Estes, os ricos, usam, abusam,
desfrutam, gozam a vida de uma forma ostentadora
não conhecendo limites e vivendo longe da
simplicidade de Ser e embrenhados na complexa
teia do Ter.
A contradição e o paradoxo caracteriza-nos
claramente, mas o desafio de nos definirmos mais
claramente é uma missão que nos impulsiona a
todos, no entanto a níveis e intensidades
diferentes. Somos e seremos sempre todos
diferentes e é essa diferença que compõe o
cenário evolutivo da vida e a torna tão
interessante, apesar de árdua.
Lidar com a diferença requer experiência à
qual advém o discernimento e a sabedoria. Neste
estágio a noção de identificação pessoal
caracteriza-se pela compreensão e aceitação de
que são os muito diferentes de nós que nos fazem
ser quem somos. Isto é, por exemplo, se nos
identificamos socialmente como Ambientalistas e
fazemos disso a nossa razão de ser e estar
devemos estar de certa forma gratos aos
"Poluidores - não ambientalistas" por terem
agredido o ambiente e cujas consequências nos
fizeram despertar para as actividades e acções
ecológicas. Vivemos então a nossa vida (social e
até mesmo económica) a lutar contra os
agressores do meio ambiente na esperança de
conseguir "ganhar a guerra" ou seja extinguir
qualquer origem poluidora caracterizada pela
acção humana. Em conclusão o nosso árduo
objectivo quando e se atingido acarreta também a
extinção da nossa actividade como
ambientalistas.
De facto o que acontece com a grande maioria
de nós, é que estamos constantemente a tentar
convencer os outros que o nosso caminho é o que
está correcto e tentamos indicar-lhes esse mesmo
percurso uniformizando tudo e todos. As razões
são várias, desde morais, éticas, espirituais,
políticas, económicas, culturais, ambientais e
outras mais.
Praticamente todos os movimentos religiosos e
ideológicos o fazem através da conversão ou
reconversão de fiéis. Os partidos políticos
guerreiam por votos, pelas maiorias, pelo máximo
de apoio da população e para isto gastam-se
fortunas €nergéticas sem quaisquer patamares
éticos e morais. Mas é sempre um saco roto pois
todas as moedas tem duas faces e se um movimento
político ganha o apoio de toda a população sem
excepção deixa de se identificar como partido
político. O mesmo acontece com a religião cuja
identificação social só é possível perante
outras religiões diferentes. Esta consciência da
diferença aplica-se a todas as áreas da vida sem
qualquer excepção porque, vivemos num Universo
relativo.
O preto só se vê em contraste com o branco ou
algo que não é preto e vice versa.
Citando Neale Donald Walsh (autor da trilogia
"Conversas com Deus") "Na ausência do que não
é, o que é não é."
Não é fácil perceber e aceitar esta realidade
que no oriente se denomina de O Princípio Único,
em que os opostos antagónicos complementam-se
pois um não existe sem o outro. O princípio de
Yin e Yang.
A sociedade moderna (nós) tenta uniformizar,
normalizar através de standards,
controlar tudo por igual de forma a ganhar e
manter poder de controle individual e colectivo.
Tudo o que é diferente ou foge à "moda" ou ao
"bolo" torna-se geralmente mal aceite,
condenável e desprezível. Este fenómeno ocorre
permanentemente a nível pessoal, familiar e
global.
Não processo não está errado pois gerir uma
população mundial em crescimento cuja
concentração está desequilibrada no território e
desenquadrada nas tarefas é uma missão complexa
e requer a manutenção de um sistema elementar de
convivência e sobrevivência. Assim, temos o
capitalismo como modelo económico globalmente
vigente (quer seja ideologicamente aceite ou
não), o Cristianismo como modelo religioso
(mesmo existindo milhares de outras religiões,
os calendários e eventos sociais globais
regem-se pelos acontecimentos de Cristo), a
Democracia como modelo político, a Ciência como
modelo de conhecimento e evolução intelectual e
a Competição/valorização do Indivíduo como
modelo social (aplicável à educação, saúde,
emprego, desporto, cultura, laser, etc.)
Vejamos o sistema educativo:
Globalmente os métodos de ensino são
semelhantes, os alunos vão para a escola,
frequentam aulas de diversos temas pré estudados
e definidos segundo parâmetros científicos,
políticos, económicos e religiosos. Por os
alunos se acumularem nas turmas em grande número
os professores não podem humanamente dar atenção
devida a cada um, progridem mais ou menos aos
atropelos ao longo dos anos com a crescente
complexidade e variedade de matérias muitas
delas totalmente desenquadradas das capacidades
inatas de cada um. Numa fase mais avançada é
quase exigido (pelos modelos económicos e de
mercado) aos jovens que frequentem cursos
superiores para obterem um certificado que os
qualifique como aptos para a corrida, sem sequer
lhes terem perguntado se eles queriam correr.
Ou seja, devido à massificação da educação o
indivíduo fica camuflado das suas capacidades
naturais e inatas muito visíveis enquanto
criança e é forçado a percorrer e decorar um
caminho definido por outros segundo parâmetros
económicos.
Onde está a verdadeira liberdade?
Onde está a possibilidade de escolha?
Porque é que só me permito tomar decisões e
não fazer uma escolha? Escolheria para mim viver
no campo tranquilo, observando e seguindo os
padrões da Natureza, mas... decidi pedir um
empréstimo para comprar um carro melhor porque
mudei de emprego onde ganho um pouco mais para
além de querer comprar uma casa maior com
garagem que fica perto do cinema dentro do maior
centro comercial num raio de 300 Kms (segundo as
estatísticas)...
Mas a moeda tem sempre duas faces!
Vejamos um sistema educativo alternativo:
Rudolf Steiner (1861-1925) foi um
filosofo/cientista/espiritualista austríaco cuja
abordagem holística integra o conhecimento
cientifico aprofundado pelo espiritual.
Desenvolveu a
Antroposofia, ciência espiritual de
conhecimento dos fenómenos do Indivíduo e do
Universo através do espírito. Os seus estudos
tem ainda hoje um grande valor em várias áreas
cientificas, artísticas, agricultura
(Biodinâmica), educação, filosofia, medicina e é
reconhecido como um dos grandes pensadores da
humanidade.
Baseados nos ensinamentos educativos de
Rudolf Steiner as escolas
Waldorf espalham-se um pouco por todo o
mundo praticando um sistema educativo que
valoriza as capacidades individuais do indivíduo
como um todo. Cada criança é permitida e
estimulada a criar e aprender através das suas
capacidades naturais pelo método pedagógico mais
elementar do aprender fazendo. As crianças
expressam e desenvolvem sem barreiras as suas
potencialidades morais, espirituais, artísticas
e intelectuais tornando-se seres mais
autênticos, saudáveis fisicamente, mentalmente e
espiritualmente.
Felizmente a Natureza (nós incluídos) arranja
sempre forma de reequilibrar os pratos da
balança. Mais cedo ou mais tarde surgem sempre
movimentos alternativos e complementares a todas
as actividades humanas. Os próprios processos
naturais ensinam-nos precisamente esta dinâmica
da contraposição positiva. Mas, entre as linhas
sinusóides do equilíbrio natural passam-se
muitos acontecimentos cuja escala de tempo e
impacte no espaço se torna muitas vezes difícil
de conviver para um Ser que normalmente vive 80
anos.
O DIA DE HOJE
O actual sistema económico e social tem a sua
base na lei da procura e oferta. O mercado dita
regras muitas vezes com consequências
destrutivas para o ambiente logo para o próprio
ser humano.
O modelo económico em que vivemos usa e abusa
dos recursos energéticos fósseis e esgotáveis.
Estes demoraram milhões de anos a formarem-se
sendo completamente esgotados em apenas 150
(daqui a 25-30 anos na melhor das hipóteses).
O petróleo está na base de praticamente tudo
o que nos rodeia. Por ter as suas reservas a
escassear actualmente assistimos a confrontos
mundiais pelo seu controlo como é o caso da
recente ocupação do Iraque (que detém a 2ª maior
reserva de petróleo do mundo) pelos Estados
Unidos e coligações (apesar de serem outros os
pretextos). Esta escassez vai-se reflectindo na
economia de vida de todos nós cada vez com mais
intensidade, com consequências de tal ordem que
dará origem a um novo paradigma de vida.
As grandes questões serão, o que podemos
fazer hoje? Porque não passamos à acção e
deixamos mais de lado as palavras? Temos tempo?
Quais são as prioridades? Como?
A noção moderna de tempo está muito deturpada
pois o constante controlo dos modernos sistemas
tecnológicos obrigam-nos a viver segundo os
números. Prazos, taxas, acertos, atrasos,
avanços, penalizações, validades, rapidez,
eficácia, "tempo é dinheiro", etc... é uma
constante corrida contra o tempo - mas este não
tem encontro marcado nem vai a lado nenhum. Este
stress habituou-nos a termos tudo no
imediato e rapidamente ficamos sem paciência se
algo demora muito a obter resultados.
Vejamos uma árvore - um pinheiro por exemplo
demora cerca de 30 anos a atingir a idade
adulta. 30 anos é a estimativa de reservas de
petróleo existentes no planeta (na melhor das
hipóteses pois o consumo é galopante), ou seja
um pinheiro que seja plantado hoje, só daqui a
30 anos estará pronto para nos oferecer madeira
para a construção da nossa casa, para nos
aquecermos à lareira, para nos deliciar com os
cheiros primaveris da floração, para nos dar
sombra nos dias quentes e pinhões para a nossa
alimentação. Nesta altura já não haverá petróleo
ou este será tão escasso que valerá inúmeras
vezes mais que o mais caro dos diamantes.
Necessitamos de planear hoje o sustento
energético para amanhã. Os combustíveis vegetais
renováveis como é o caso da floresta são um
elemento de importância vital.
Estaremos a (re)arborizar correctamente o
planeta pensando no amanhã?
A situação actual da floresta é dramática. A
nível humano os fogos florestais destroem vidas
a curto prazo, mas a médio e longo prazo
destroem muitas mais e não só a humana.
Apenas algumas consequências da redução de
árvores:
- redução na produção de oxigénio;
- redução na absorção de dióxido de
carbono atmosférico provocado pela poluição;
- redução da evapo-transpiração (menos
humidade no ar -> climas mais secos);
- o número de espécies animais e vegetais
reduz drasticamente e milhares delas acabam
por se extinguir ou emigram para outros
lugares originando desequilíbrios nas
cadeias alimentares;
- redução da protecção do solo por
cobertura vegetal provocando erosão,
empobrecimento e morte dos solos;
- redução da capacidade de infiltração de
água no solo dando origem a escoamentos
muito rápidos transportando lamas e os
restos de detritos durante as estações
chuvosas. As consequências deste fenómeno
são inundações e cheias imprevisíveis e
catastróficas.
- por haver menor infiltração de água no
solo os lençóis freáticos reduzem o seu
caudal ou secam;
- os ribeiros e riachos secam;
- os rios tornam-se mais sujos;
- redução de água potável;
- o ciclo hidrológico é interrompido ou
alterado provocando alterações climatéricas
ainda mais frequentes, estranhas e intensas;
- o aquecimento global aumenta;
- a Vida no seu todo fica em risco de
extinção;
Muitas mais consequências ambientais resultam
desta diminuição de árvores mas o ser humano
vê-se privado de matéria prima, alimento,
protecção e companhia.
"Nós necessitamos das árvores, as árvores
não necessitam de nós."
Outro exemplo de insustentabilidade é a
agricultura química e intensiva. De uma forma
geral é destrutiva e muito pouco produtiva
atendendo aos gastos energéticos envolvidos. De
facto é paradoxal, mas na realidade a quantidade
de energia gasta em todo o processo de produção
agrícola é muito superior à ganha com o produto
colhido. (Se assim não fosse não seria
necessário subsídios)
Por exemplo para produzir uma espiga de milho
a agricultura convencional intensiva e química
usa:
- Grandes áreas de mono cultivo obtidas
pelo abate de árvores, dando origem a
paisagens monótonas e antinaturais; ->
combustíveis
- Máquinas para lavrar e aplanar o solo
compactado; -> combustíveis
- Adubação química; (inclui industrias
para minagem, transformação e transporte dos
adubos) -> combustíveis
- Sistemas de rega mecânicas com elevado
desperdício de água -> combustíveis
- Sementeira mecânica -> combustíveis
- Tratamento mecânico com herbicidas ->
combustíveis
- Tratamento mecânico com pesticidas ->
combustíveis
- Colheita mecânica -> combustíveis
- Separação, limpeza e armazenamento
mecânico -> combustíveis
- Tratamentos químicos contra pragas
durante o armazenamento.
- Transporte dos milho a médias e longas
distâncias -> combustíveis
- Comércio injusto pois o agricultor é
quem recebe menos de todo o processo, sendo
os transportadores e distribuidores quem
recebe a maior fatia.
Para produção da mesma espiga de milho em
agricultura tradicional e preferencialmente
biológica:
- Menor área de cultivo e em regime de
policultura;
- Gado para lavrar o solo (para além de o
adubar com matéria orgânica de elevada
qualidade);
- Adubação orgânica pelos estrumes animais
e vegetais;
- Rega por regos e por gravidade;
- Culturas intercaladas com espécies
benéficas dissuasivas de pragas (Policultura
ou Agricultura sinergética);
- Colheita manual;
- Armazenamento em espigueiros;
- Transporte e venda do milho na região
directamente do produtor ao consumidor;
A causa que originou os actuais sistemas
agrícolas intensivos é a desertificação humana.
Isto é, cada vez menos gente quer trabalhar a
terra e o êxodo rural reduziu drasticamente a
mão-de-obra agrária estimulando as indústrias de
mecanização, automatização e quimicalização para
manter os crescentes níveis de produção de
alimentos exigidos pelas grandes cidades.
Entretanto estas indústrias tornaram-se
lobbies económicos empregando milhares de
pessoas promovendo um falso progresso das
regiões onde estão instaladas e geralmente à
custa do meio ambiente.
Alguns poucos dirigentes políticos e sociais,
mas principalmente de instituições de mediação e
ONG's tem vindo já à alguns anos a afirmar que a
crescente desertificação humana, animal e
vegetal está na origem de muitos desequilíbrios
sociais, económicos, políticos e ambientais.
Na sua mensagem especial do Dia Mundial de
Combate à Desertificação e à Seca (17 de Junho
de 2000), Kofi Annan /Secretário-Geral da ONU
declarava:
| “Em
princípio, não há razão para que a
terra não possa sustentar uma
população muito maior do que a
actual. Mas a distribuição de bons
solos e de condições favoráveis de
cultivo não corresponde à das
populações. À medida que se regista
uma degradação das terras, o
problema torna-se cada vez mais
difícil de resolver. Quase dois mil
milhões de hectares -- uma zona cujo
tamanho é igual ao do Canadá e dos
Estados Unidos juntos -- são
afectados pela degradação dos solos
provocada pelo homem, que põe em
risco os meios de subsistência de
quase mil milhões de pessoas. Os
grandes culpados são a salinização
provocada pela irrigação, a erosão
dos solos causada pelo pastoreio e
desflorestação excessivos e a
destruição da bio diversidade. Só os
custos directos, em termos de
rendimento anual perdido, foram
estimados em mais de 40 mil milhões
de dólares por ano.
Todos os anos,
mais 20 milhões de hectares de
terras agrícolas atingem um grau de
degradação que impede a produção de
colheitas ou perdem-se a favor da
expansão das zonas de construção. No
entanto, espera-se que, nos próximos
30 anos, a procura de alimentos no
mundo em desenvolvimento duplique.
Novas terras poderão e serão
cultivadas, mas uma grande parte é
constituída por terras de fraco
rendimento e, portanto, ainda mais
vulneráveis à degradação. As
necessidades humanas, cujo aumento é
inexorável, exigem que tomemos
medidas vigorosas e imediatas para
pôr termo -- se não mesmo para
inverter as actuais tendências -- à
destruição da terra arável.
Concentrando os
conhecimentos globais e vantagens
relativas dos seus organismos
especializados e programas, o
sistema das Nações Unidas pode
desempenhar um papel fundamental na
aplicação da Convenção para Combater
a Desertificação, adoptada faz hoje
seis anos.
A Convenção
salienta que só em cooperação com as
pessoas das comunidades afectadas
podem ser concebidas acções eficazes
de combate à desertificação e à
seca.
Muitos governos
estão a trabalhar em parceria com
organizações não governamentais e
comunitárias, prestando especial
atenção à voz das mulheres no que se
refere à formulação dos seus
programas de acção nacionais.
Hoje, reafirmemos
o nosso compromisso de intensificar
os esforços para vencer os
obstáculos ao desenvolvimento
sustentável para todos, nomeadamente
para combater a degradação das
terras áridas e todas as suas
consequências -- ambientais,
económicas, sociais e políticas.” |
Hoje, apesar de sabermos que a qualidade dos
alimentos que ingerimos é muito inferior à
existente em décadas anteriores, continuamos de
um modo geral a não querer tomar
responsabilidade pelo que ingerimos e delegamos
às indústrias alimentares em todo o seu conjunto
a incumbência de o fazer por nós.
Todas estas práticas, métodos e estratégias
vistas exclusivamente sobre o ponto de vista
económico tem obviamente um forte impacte no
ambiente. Não só na agricultura mas também nas
pescas. Os actuais stocks de peixe estão
extremamente baixos e continuam a ser altamente
explorados. O saboroso Atum que se pescava ao
largo dos Açores desapareceu e nas poucas áreas
onde ainda se o pesca os Golfinhos tentam
protege-los misturando-se com os cardumes e
envolvendo-se nas redes. Todos os anos cerca de
10.000 Golfinhos morrem ingloriamente nas redes
de pesca ao Atum.
A Sardinha segue aparentemente o mesmo
destino, tendo agora a ameaça das fábricas
flutuantes espanholas de a quererem para os seus
bolsos, mas, "Lá estão os Golfinhos no meio
dos cardumes a estragar-nos o negócio (...)",
declaram pescadores algarvios em entrevistas dos
meios de comunicação social. Por que será...?
Bem, seria necessário um grande livro para
descrever as actuais situações
económico-socio-ambientais que apoquentam o
nosso dia-a-dia, mas como resumo relembremos
(atenção, esta lista pode ser um pouco negativa
mas é um punhado da realidade presente):
- Fogos florestais
- Desbaste florestal para inúmeros fins
- Redução de água potável
- Construção descontrolada - aumento das
áreas urbanas
- Desertificação humana
- Desertificação vegetal e animal
- Extinção de várias espécies animais e
vegetais todos os anos.
- Agricultura química, de síntese,
poluidora, globalizada, e exclusivamente
dependente de combustíveis fósseis.
- Erosão e perda de solos
- Pesca excessiva
- Caça excessiva
- Ar poluído
- Aumento do aquecimento global provocando
eventos climatéricos erráticos e
desproporcionados para as épocas.
- Competição política sem valores morais e
éticos exclusivamente baseada no poder e
valorização do ego.
- Educação escolar de massas e sem rumo
- Aumento da população e concentração
habitacional desigual
- Aumento da esperança de vida mas
diminuição da sua qualidade
- Sistemas de saúde e de segurança social
em rotura
- Aumento das doenças degenerativas,
vasculares, alérgicas, imunitárias e
principalmente mentais (depressão, angústia,
ansiedade, ...)
- Redução da qualidade e quantidade do ar,
água e solos
- Aumento das diferenças entre classes
sociais
- Aumento do racismo e xenofobia
- Aumento da criminalidade
- Aumento do medo, desconfiança e mau
estar geral das sociedades
- Aumento do consumo sem propósito
- Aumento do culto do Ter
- Diminuição do sentimento do Ser e do
auto-conhecimento
- etc...
Mas nem tudo é negativo, e as boas notícias
são:
Tomando o sentido de responsabilidade e tendo
consciência que toda a acção tem uma reacção o
ser humano pode e deve agir de forma a minorar
senão inverter para o bom sentido o actual rumo
de vida pessoal e global.
As mudanças que perduram dão-se primeiro a
nível pessoal e só depois colectivo. Se assim
não for deparamos com mais movimentos
extremistas reaccionários com lideres e
sub-lideres à frente de um grande punhado de
súbditos que na maioria dos casos não sabe
porque se manifesta e se revolta, para além de
não compreender que também é um dos causadores
do desequilibro para o qual foi mandado
protestar. São os movimentos de massas sem rumo.
Os sinais do presente.
▪
Nelson Avelar |